Saltar directamente a los contenidos
Comunidad Universitaria
Infórmate
Prepárate
Noticias
UNIVERSIA EN ...
CONTENIDO EN RED
Publicidad
Publicidad
Contenidos
Notícia
14/07/2009.
Universia knowledge @ Wharton
"Não recordação que aqui se tenha dito que a ambição seja boa" e, ainda que "nunca apostamos pelos atalhos e os truques financeiros, seria irresponsável dizer que as escolas de negócios não temos parte de culpa na crise". Para Santiago Íñiguez de Onzoño (Madri, 1962), decano de IE Business School, a responsabilidade sobre os excessos financeiros há que a compartilhar também com os supervisores, as instituições públicas e privadas e, inclusive, com os clientes "mais ambiciosos" que procuravam "duros por pesetas".
Íñiguez entoa um mea culpa compartilhado convicto de que o trabalho das escolas de negócios passa por promover o espírito empreendedor. "O empresário não é o inimigo, é a solução à crise", e adverte do perigo de " perder a cultura de criação empresarial" se se faz questão de por obstáculos a posta em marcha de novos negócios através de uma "excessiva regulação". Ainda assim, mostra-se otimista e é partidário de quem defendem que, "de qualquer crise, a economia e as empresas de um país saem reforçadas". Em sua opinião, "as vezes, ficamos na patologia" e não se procuram soluções. Conquanto reconhece que muitos dos que causaram este desaguisado financeiro passaram pelas salas de aula mais prestigiosas do mundo, também "os que nos estão sacando da crise passaram pelas escolas de negócios".
O repto agora é "gerar mais pontes entre o mundo empresarial e acadêmico" para desenhar conjuntamente novas ferramentas financeiras e sopesar assim melhor os riscos, aponta Íñiguez. Neste sentido, o decano da IE Business School reconhece que esta é uma oportunidade para que as escolas de negócios européias tomem o relevo das americanas, às que a crise golpeou tanto em seu modelo acadêmico, como no de financiamento. Santiago Íñiguez explica que enquanto as instituições educativas para diretores do Velho Continente centraram seu discurso na necessidade de criar valor para diferentes stakeholders,como a Administração pública, os clientes ou os provedores, as escolas americanas "se centraram em maximizar a rentabilidade para o acionista", paradigma que ficou em entredicho depois do estalido da crise financeira.
Europa 'contra' EEUU
Quanto à estrutura patrimonial e a conta de resultados, o modelo europeu também parece mais sólido do que o estadounidense, muito dependente dos interesses que geram as doações de empresas privadas, e que se viram drasticamente reduzidas este ano. Durante a época de bonança, o apoio das companhias tinha suposto um autêntico espaldarazo para os centros americanos mais prestigiosos, mas agora "tiveram que recortar gastos e começar a prescindir de professorado e de investigação". Em opinião de Íñiguez, "em época de crise, as escolas européias estão melhor preparadas porque dependem mais do mercado", isto é, do número de matrículas, cujo comportamento costuma ser anticíclico, já que a gente tende a formar-se mais quando pior estão as coisas. Sem incluir a universidade, em 2008, o IE faturou 71 milhões de euros e as previsões para o exercício atual prevêem um incremento do 31%, até os 93 milhões de euros. Em Europa, as doações privadas mal supõem o 15% dos rendimentos das escolas de negócios, que optaram por um sistema misto de financiamento, já que "não se dão as condições fiscais, nem culturais", para que triunfe o modelo americano, explica, ainda que o Plano Bologna procura uma convergência de ambos sistemas, além da unificação educativa do Velho Continente.
Precisamente, esta maior presença da empresa no mundo acadêmico levantou a polêmica entre os que estão a favor e na contramão deste projeto, ao que deverá estar adaptado toda a oferta docente o próximo ano. À IE Business School, Bologna lhe obrigou a comprar uma universidade para poder cumprir com os critérios europeus. Ainda assim, Íñiguez não dúvida nem um segundo à hora de posicionar-se: "Precisamos mais Europa do que nunca". E desmonta cada uma das três grandes críticas que recebeu o processo de unificação.
"Não sê que significa a afirmação de que Bologna implica a mercantilização da universidade", assegura o decano, ante a polêmica de dar maior protagonismo à empresa no mundo acadêmico. "A universidade não deve ser uma fábrica de parados" e muitos dos títulos atuais "não têm saída ao mercado trabalhista". Se criar pontes entre empresa e universidade significa adaptar as carreiras ao mundo real, então a mudança "é bom". Outra das polêmicas em torno de Bologna é a extinção das titulações em ciências sociais, algo que Íñiguez qualifica de " falácia", já que, em sua opinião, "não só não vão desaparecer, senão tudo o contrário. Agora, terá uma oferta de qualidade internacional". E para quem pensam que o tratado europeu suporá um incremento dos preços de cadrastamento, o decano recorda que o Governo central está promovendo um sistema de bolsas, ainda que reconhece que "faz defeituosa adequar as taxas ao preço real" e se mostra apoiante de " unir o mérito acadêmico à concessão de bolsas", de forma que se estabeleça um mecanismo de reembolso das ajudas em caso de não superar o curso. Em opinião de Íñiguez, "Bologna é uma oportunidade para os alunos de estudar em universidades de referência internacional em função de seu mérito", além de incrementar as possibilidades de mobilidade do professorado e de " melhorar a competitividade do continente" com o objetivo de criar "os Estados Unidos de Europa".
Como escola de negócios independente, Bologna obrigou ao IE a comprar uma universidade, e depois de valorizar diferentes alternativas no estrangeiro, decidiram-se por adquirir a SEK de Segovia, agora passou a denominar-se IE Universidade, onde se começarão a dar novos graus de corte internacional, tanto em espanhol, como em inglês. Íñiguez, que também é reitor desta nova instituição, explica que, depois de valorizar localizações em Holanda, finalmente se decantaram por Segovia por sua cercania com o campus de Madri, ainda que na decisão pesou negativamente o sistema "hiperregulatorio que existe em Espanha", e que representa um obstáculo para a livre circulação de alunos e professores a nível internacional. "Espanha é um dos países que mais complicações burocráticas e administrativas tem para cursar um mestrado", assegura o decano de IE Business School. Em sua opinião, "a educação poderia ser um dos setores mais atraentes desde o ponto de vista do dinamismo econômico em Espanha", junto a outros tão ponteiros como as energias renováveis ou o transporte. De fato, em alguns países, a captação de alunos estrangeiros em suas universidades e escolas de negócios se converteu numa das principais fontes de divisas. No entanto, Íñiguez reconhece que, sem os suficientes apoios, é difícil que isto ocorra, já que no mercado nacional, não há suficiente demanda para toda a oferta de formação que existe.
Bologna é essa oportunidade para Espanha porque "abre um mercado único", no que também "veremos a mais universidades americanas entrar no marco europeu". Como pode Espanha competir neste meio? Santiago Íñiguez tem claro que a solução passa por " converter a Madri num hub educativo, a semelhança de Londres ou Boston". Mas, para isso, é necessário cumprir com três requisitos: presença importante de empresas, internacionalização da cidade e desregularización administrativa. Por enquanto, a capital espanhola só adolece disto último.
Madri, 'hub' educativo
Até agora, os centros educativos de Madri se centraram em atrair a estudantes de Latinoamérica, "mas temos que aspirar a atrair ao resto do mundo", e não só porque as escolas de negócios e as universidades precisam alunos, senão também porque "o turismo educativo é mais rentável do que o sol e a praia", aponta Íñiguez. Pese às dificuldades administrativas, Espanha é o principal destino dos cidadãos da União Européia que optam ao programa de intercâmbio universitário da Erasmus e as escolas de negócios espanholas figuram entre as mais diversas do mundo quanto à procedência de seus estudantes. "Temos mais alunos franceses aqui do que espanhóis estudando em França".
Talvez este interesse por converter Madri num hub educativo é o que fez que, até agora, a IE Business School não se tenha proposto abrir nenhum campus próprio fora da capital espanhola, e tenha apostado por alianças estratégicas com outras escolas de prestígio fora de suas fronteiras. Com tudo, a opção de estrear campus fora de Madri, "hoje em dia, não o descartaria", ainda que não é algo planteable a curto prazo ou, pelo menos, não até que se encontre a forma de " replicar o modelo e a experiência do campus" que a IE Business School tem no centro da cidade. "Não é o mesmo que ir a uma sucursal", assegura Íñiguez, fiel defensor do networking e a relação que se gera entre os alunos. Inclusive quando fala da formação online é partidário de um sistema misto, "no que se desenvolvem outras habilidades diretivas e se aprende a ser mais diplomático, porque por escrito as coisas ofendem mais".
O 55% dos rendimentos do Instituto de Empresa (IE) procede da atividade internacional, tanto de cursos dados fora de Espanha, como de estudantes estrangeiros matriculados no país. O próximo curso, o campus de Segovia acolherá alunos a mais de trinta nacionalidades, como EEUU, Índia, Alemanha, Emirados Árabes Unidos, Austrália, Canadá, Indonésia, Hungria e México, que fazem que alguns cursos de grau da IE Universidade, como o de administração de empresas, tenham já uma demanda internacional a mais do 70%. Quanto à escola de negócios, a IE Business School acaba de assinar um acordo com a Brown University, em Estados Unidos, para pôr em marcha um Executive MBA conjunto, que será o primeiro de uma série de programas que se darão também em Brasil, Chinesa, Índia e, quiçá, nos países do Golfo, segundo explica Santiago Íñiguez.
Um estrategista à frente do IE
Depois de estudar na Universidade Complutense de Madri e na Universidade de Oxford, Santiago Íñiguez de Onzoño se doctoró em Direito e cursou um MBA na IE Business School, escola de negócios onde mais tarde se dedicaria à docência como professor de Direção Estratégica e da que, em 2004, foi nomeado decano.
Antes de ocupar este cargo, Íñiguez foi diretor geral de Relações Externas, etapa durante a que liderou a posta em marcha de iniciativas internacionais. Depois da compra da Universidade SEK de Segovia, Íñiguez foi nomeado reitor da instituição, cargo que compartilha atualmente com o de decano da escola de negócios e outros postos de responsabilidade nos conselhos da European Foundation for Management Education (EFMD) e a Associação de MBA de Reino Unido (AMBA), além de em várias instituições espanholas.
Fuente:
Publicidad
Sitios recomendados